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Um espaço para compartilhar experiências e idéias. Uma sala de estar virtual, onde os amigos são bem-vindos e os passantes também são convidados a participar. Cheers

21

de
dezembro

Para a Tina

Quando eu tinha 10 anos, ou seja, há 50 anos atrás, minha mãe me matriculou no Colégio Assunção. Para quem não sabe, esse colégio fica na Alameda Lorena e vai até a Av. 9 de Julho. Naquela época o terreno era muito grande e ocupava toda a área onde funciona o Carrefour Pamplona.

Eu odiei o colégio desde o primeiro dia, a gente tinha de assistir à missa diariamente, às 7:30h. Mas o problema não era esse. Era um colégio religioso e eu achava aquilo uma chatice, eu tinha feito o primário numa escola laica…então aquelas freiras pegando no pé ( freiras bem atrasadas, francesas e espanholas…acho que não eram amigas de banho). Tudo era ruim. As aulas eram fracas e eu não precisava estudar nada…tudo era uma repetição do que já tinha aprendido no 4º ano primário no "legendário" externato Elvira Brandão!

Eu pedia para minha mãe me tirar de lá, e ela procurava me convencer a ficar. Até me arrumou umas aulas de piano numa das salinhas enfileiradas que ficavam perto da sala de visitas  - onde as alunas internas recebiam visitas aos domingos. O refeitório era horrível e a comida, um terror: arroz grudadinho, feijão aguado… o pior de tudo era um lagarto assado e fatiado meio esverdeado. ( Você se lembra, Tina?)

Ai, e as aulas de bordado! Uma freira espanhola, com sotaque bem forte, tentava me ensinar os pontos num paninho de amostra ( o meu parecia um trapinho sujo e amassado). Ponto cheio, ponto atrás, corrente, pétala e outros. Como trabalho de fim de ano, tivemos como tarefa fazer uma carteira de cetim bordada com canutilhos, paetés. Ai, que horror…a minha bolsinha de mão, de branca, virou cinza amarronzada. E o pior, se é que pode haver pior, os pontos ficaram repuxados e o tecido parecia cheio de pequenas colinas e depressões…era uma peça própria para a aula de geografia! A cara da minha mãe elogiando a bolsinha foi uma piada: "Muito bem, Lúcia, ficou muito boa…"

Mas de todas as "artes", a lembrança mais importante e duradoura que ficou veio da capela, onde depois das aulas, lá pela 5 e tanto ( éramos semi-internas), havia uma cerimônia da Benção. Acho que o horário, o cansaço do dia, a sensação de ir para casa em seguida, tudo isso me predispunha a uma atitude menos rebelde e mais paciente. Olhando com os olhos de hoje, sei que o ambiente da capela, a própria construção, os vitrais, o altar, o ostensório , os paramentos do padre e a  cerimônia rezada em latim e a luz que entrava atrás do altar…tudo isso compunha um conjunto propício para nos levar a um outro estado de consciência.

E o interessante é que eu nem preciso fechar os olhos, 50 anos depois…..

para me apropriar da sensação de paz e elevação que lá um dia eu conheci! Foi a melhor coisa que eu tive no colégio, além das amigas, claro!

Então neste Natal, para quem é cristão, eu gostaria de partilhar aquela mesma emoção de esperança e paz!

Para que tem outra orientação religiosa, posso dizer da esperança de nos reconhecer como irmãos e construir um mundo melhor para os nossos filhos!

Arquivado em: Sem categoria I

2 Comentários »

  1. Comentário por adriana — 23 de dezembro de 2006 (8:03)

    Lindo o seu texto!
    Feliz Natal!

  2. Comentário por Cristina — 22 de novembro de 2008 (11:09)

    Uau! poderia mesmo começar a escrever livros… os quais colocaria inclusive as fotos e criações suas…. isso seria maravilhoso! um verdadeiro presente pra você e para quem os lesse! Obrigada!

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